Quem trabalha espera ansiosamente pelas férias, certo? Ou será que fica uma pulguinha atrás da orelha? Uma reportagem exibida no Fantástico no último mês de outubro falou da “fobia de férias” que tem atingido muitos trabalhadores. Segundo a reportagem*,
“Estamos em época de férias. Mais do que necessárias, as férias são indispensáveis. É o que dizem os médicos. Férias eliminam o estresse acumulado. Se é tão importante sair de férias, por que muita gente não sai? Todos nós conhecemos pessoas que dizem, com orgulho, que não tiram férias há cinco anos. E, como tudo tem explicação, os médicos já encontraram uma. Isso se chama fobia de férias.
Esse medo de sair de férias ocorre por vários motivos. O primeiro é a insegurança. E se a empresa de repente descobrir que o empregado não faz falta? E se um colega que ganha menos começar a fazer o trabalho, e fizer melhor?
O segundo motivo é a impressão, que algumas pessoas têm, de que são mais importantes do que realmente são. Gente assim costuma dizer: “Se eu sair, a empresa pára”.
O terceiro motivo – e esse é real – é que empresas vêm cortando seus quadros de funcionários. E isso faz com que uma pessoa acumule o trabalho que antes era feito por duas ou três. Se ela sair de férias, é como se a empresa ficasse sem três empregados ao mesmo tempo. Então, a pessoa que não tira férias é vista pela empresa como ‘dedicada’.
Conceder férias é uma obrigação da empresa. Está na lei.
É aí que surge a fobia. As pessoas saem de férias como se fossem obrigadas. Saem se sentindo culpadas. Não conseguem se desligar da empresa, e levam trabalho para fazer nas férias. E deixam o número do celular com dezenas de colegas, para casos de emergência. E, quando ninguém liga, a preocupação aumenta mais ainda. No quinto dia de férias, a pessoa já está falando em voltar para ver como andam as coisas”.
A tal “fobia de férias” existe, é um problema real nas organizações modernas, e é importante que seja tratado pela mídia. Está relacionado ao fenômeno do presenteísmo, que é quando a pessoa nunca falta ao trabalho, mesmo estando doente.
Mas é interessante notar que muitas vezes são apresentadas causas individuais para esses fenômenos, como no caso desta reportagem. Ela afirma que o trabalhador não quer tirar férias ou porque é inseguro de sua posição na empresa ou, ao contrário, supervaloriza esta posição. Uma causa externa ao indivíduo é citada, o corte de gastos que vem sendo feito pelas empresas.
E qual o papel da organização moderna do trabalho nisso tudo? O fato de as organizações estimularem a competição, a busca incessante por metas, as recompensas por produção, a valorização do “colaborador” que “veste a camisa da empresa” não influenciam nestas questões?
O grande problema de individualizar fenômenos como esses é que o motivo das fobias, estresses, depressões, etc, continua intacto, não há mudança alguma. O trabalhador adoece, é afastado, faz terapia, enfim... e nada muda.
* Fonte: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL698405-15607-180,00.html
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário